
A França não foi o primeiro país que conheci quando rumei à Europa, mas durante toda minha vida meu maior sonho foi estar frente à Torre Eiffel. Quando você sai do Brasil e conhece outras culturas, se depara com uma realidade totalmente diferente. Os impactos sociais, culturais e geográficos, causam um choque positivo e faz olhar para dentro de si.
Nos países da Europa, as três maneiras mais convencionais de ir à Paris são avião, ônibus ou trem. A desvantagem de voar é o tempo que se perde no aeroporto. Você leva horas para fazer o check-in, embora a passagem de avião seja muito barata se conseguir uma companhia aérea econômica como a Easy Jet. Mas o mais confortável é ir de trem. Como os países europeus são todos próximos, levei apenas duas horas para me locomover de Londres na Inglaterra, onde moro, até Paris. Embarquei na Estação de King’s Cross, para apanhar o trem da Eurostar, companhia férrea que apresenta conforto e praticidade. De trem pode-se apreciar a paisagem, que é linda, sem precisar passar pelo check-in de malas, embora a fiscalização de passaportes seja tão rigorosa quanto à dos aeroportos. A desvantagem é que o trem é bem mais caro, porém o conforto e a agilidade supere o valor. Quando desembarquei no meu destino, tudo o que quis primeiramente foi ver a Torre Eiffel. Eu havia reservado um hostel perto do ponto turístico pago mais visitado do mundo para fotografá-lo em diversos ângulos. Quem pretende economizar financeiramente e realizar uma verdadeira viagem de “mochileiro”, os hostels são considerados os postos de hospedagens bem mais baratos que os hotéis, a maioria são confortáveis, embora sempre seja bom visualizar fotografias em seus websites antes de reservá-los. O inconveniente para alguns é que tem de dividir o quarto com turistas que nunca vira, embora para os “mochileiros”, como eu, esta é a maneira de conhecer pessoas, fazer amizades internacionais e trocar ideias sobre viagens.
Guardei minhas malas no locker do hostel – sempre sugiro que negocie antes a segurança de suas bagagens - e corri para ver de perto o monumento que esperei quase três décadas para conhecê-lo. Quando o avistei, a emoção tomou conta, meus olhos lacrimejaram e senti uma alegria imensa. O meu grande sonho estava frente aos meus olhos sem querer acordar. Com tripé, câmera e lentes a punho, fiz as imagens do ponto turístico mais desejado do mundo. Olhava para o monumento admirando cada detalhe. As horas se passaram e a noite chegou. A emoção voltou a tomar conta quando as luzes da torre se acenderam e um espetáculo de iluminação deu seu show. A "Dama de Metal" é iluminada por 352 projetores de 1000 watts contínuos e, todas as noites, a cada meia hora, apresenta um piscar de luzes com 20.000 lâmpadas. Meu desejo era passar a noite admirando-a, mas eu queria subir até o topo. Para os corajosos há escadas, mas não menos corajoso que eles, preferi subir pelo elevador. Afinal, sua altura é de 324 metros. Chegando ao alto, pude ver todas as luzes de Paris. A panorâmica mais bela que as pupilas dos meus olhos já registraram, realmente faz jus ao título de “Cidade Luz”. E como minha vida tem fundo musical, ao namorar a cidade, pude mentalmente ouvir e lembrar as músicas francesas “Ne me quitte pas” e “La Valse D’amelie”, um tanto careta, confesso, mas romântico para um momento mágico. A noite continuava e eu não queria acordar de tudo aquilo, desejava ficar mais, apreciar cada pontinho de luz e me beliscar muito, para ter a certeza de que tudo aquilo não passava de um sonho noturno.